"Seria mais fácil fazer como todo mundo faz [...]
Mas nós dançamos no silêncio,
Choramos no carnaval,
Não vemos graça nas gracinhas da tv,
Morremos de rir no horário eleitoral".
Os textos de caráter "atemporal" desse blog são também publicados e organizados no Recanto das Letras, onde poderá consultá-los com mais facilidade. Acesse o site clicando aqui.
Untitled Furesøen, Denmark by The Top Hat Bandit
El Castillo mayan pyramid at Xunantunich in western Belize (by Tall KiD).
Africa by Buck Shreck.
Redwoods (by quiet nymphs)
“O governo do Distrito Federal vai gastar R$ 5,35 milhões com a compra de capa de chuva para policiais militares que farão a segurança da Copa do Mundo de 2014, marcada para acontecer de 12 de junho a 13 de julho, período de seca em Brasília, quando a umidade do ar não ultrapassa os 30%. Nos últimos cinco anos, a cidade ficou uma média de 104 dias sem chover direto, a partir de maio, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O valor da compra consta em uma tabela de aquisição de equipamentos e serviços da Secretaria de Segurança Pública, hospedado no site Transparência da Copa. O valor gasto com as capas de chuva é superior ao que se pretende investir em outros itens, como na compra de coletes à prova de balas, que sairão a R$ 1,8 milhão.
A licitação, do tipo concorrência, prevê a compra de 17 mil capas de chuva - uma para cada um dos 15 mil policiais -, ao preço médio de R$ 315 cada uma.”
Só falta comprarem barco patrulha para andar no seco.
“Palco da final da Copa do Mundo de 1950 e, futuramente, do Mundial de 2014, o novo Maracanã terá custado R$ 2,4 bilhões depois que todas as reformas forem finalizadas.
O gasto bilionário tornará o local um dos palcos mais caros da história do esporte, com valores próximos de estádios modernos, como o Cowboys Stadium e o MetLife Stadium - arenas conhecidas por investimentos altos em elementos tecnológicos.”
Como pode se depreender do texto, “elementos tecnológicos” de ponta não fazem parte do cardápio do Maracanã. Como o governo fluminense consegue fazer um estádio custar tanto? As contas:
“O montante leva em conta o valor das últimas três intervenções amplas que o estádio sofreu desde sua inauguração. A primeira foi em 1999, quando o local foi reformado para o Mundial de Clubes de 2000 ao custo de R$ 253 milhões (valores atualizados). Depois, para o Pan-Americano de 2007, as mudanças na estrutura do Mário Filho custaram R$ 428 milhões (valores atuais).
Por fim, a reforma no estádio para o Mundial de 2014 irá consumir R$ 1,12 bilhão. Recentemente, o governo do Estado do Rio de Janeiro autorizou um aditivo de 200 milhões, aumentando o custo para 1,049 bilhão. Mas, com as obras intramuros, o contrato de gerenciamento das obras e as correções monetárias, o custo desta última intervenção ultrapassará a marca de R$ 1,1 bilhão.
Por último, o consórcio que vai gerir o complexo precisará aplicar R$ 596 milhões em outras melhorias no complexo.
Reformado, o Maracanã custará quase tanto quanto os estádios mais caros da história do esporte. E estes locais são conhecidos por todo aparato tecnológico e de conforto para receberem os torcedores de suas respectivas modalidades.”
A ideia é inventar desculpas para fazer obra em cima de obra, desculpas para termos aditivos ao contrato licitado; por fim, atrasos intencionais são mais uma desculpa para mais verba, em caráter emergencial.
De trambique em trambique, o Governo do Estado do Rio consegue colocar o Maracanã em destaque no mundo todo. Não por sua qualidade, mas pelo estrondoso custo.